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Obsessão - "RECIFASHION 99"


OBSESSÃO - Apego exagerado a um sentimento ou a uma ideia desarrazoada. Motivação irresistível para realizar um ato irracional; compulsão pelo poder.


A minha pré-adolescência foi marcada com pontos especiais que carrego em mim até os dias de hoje. Em uma entrevista que dei à Revista Opinião & Versos o jornalista Erlon Andrade descreve bem esse fato:
"Desde criança, aos 12 anos, Juliana Campelo já trazia em seu ímpeto o desejo de ajudar. Ela não sabia o significado da palavra Filantropia , porém já organizava gincanas, distribuía lanches, e foi apenas o início de suas experiências. Expectativas' -  "Minha expectativa é que possamos crescer mais e mais em amor. Firmar parcerias que edifiquem o nosso trabalho como tem sido com o ministério 'Kainos Missões Urbanas' em Campina Grande - Paraíba. Onde foi montada uma tenda super bem estruturada e as crianças praticam esportes, cultura e artes gratuitamente".

Foi com esse mesmo espírito de empatia, solidariedade e amizade que incluí em um evento projetado por mim, com o total apoio da minha família e amigos, a pessoa que naquele momento estava precisando de muito apoio emocional. Ao contrário do que é dito até os dias de hoje pela que se declara minha antagonista, nunca houve sociedade alguma com ela e sim apenas um convite para ela participar conosco da realização do evento, pelos motivos que descrevi anteriormente.

Durante 1 mês estivemos de frente ao RECIFASHION 99' que foi realizado em Recife no dia 05 de março de 1999. Para melhor organização determinamos que cada um seria responsável por seus patrocinadores. Porque no decorrer da organização percebemos que não éramos apresentados aos patrocinadores da pessoa que eu convidei para estar conosco. Acontece que, os patrocinadores "exclusivos" dessa pessoa ficaram responsáveis pelas premiações das vencedoras deste concurso de beleza. Se tratava de um deputado estadual, um dono de uma construtora e um proprietário de uma casa de eventos. Todos os três muito conhecidos pela mídia naquela época, fato que foi determinantes para fazer com que não nos preocupássemos com o retorno positivo dele, até porque o evento estava muito bem veiculado nas mídias na época com apoio de pessoas e empresas muito importantes da sociedade recifense.

Infelizmente, tenho como verdade aquele ditado que diz: "Dê poder a ele e verás quem é".  Ainda no decorrer da organização do evento a mudança de comportamento começou a se desenvolver da parte daquela moça. Com falas autoritárias, em voz alta, com tom de deboche, me corrigia e se dizia perfeita em tudo que fazia.. atitudes libertinas com a pessoa com quem eu estava me relacionando e era um dos parceiros no evento. Roupas ousadas, curtas e sensuais foram adotadas por ela, embora eu aconselhasse a se vestir mais adequadamente por estarmos lidando diariamente com grandes empresários e principalmente frequentando lugares públicos como Prefeitura da cidade, Câmara de vereadores e Assembleia legislativa, onde o nosso único objetivo era formar parcerias. 

Todas as vezes, no fim do trabalho, o meu companheiro sempre a deixava em sua casa e por fim me deixava. Porém, certo dia, uma prima minha que havia chegado ao Brasil para tirar férias viu os dois juntos sozinhos em um bar no Recife Antigo e me perguntou se ele e eu havíamos rompido. Eu disse 'rindo que até aquele momento não. Era fim de semana e por coincidência ou não, uma moça que trabalha na casa do meu tio no mesmo bairro em que morávamos, estava indo pra casa e viu o carro dele estacionado em frente a casa dela e mesmo do lado de fora ela ouviu o barulho de música e pessoas conversando e rindo. Juntei todos esses e outros indícios na minha cabeça e no outro dia o convidei para conversar e assim terminei o relacionamento. Sem dizer nada pra ela, a notícia com certeza veio da parte dele, quando ela passou a sentar no banco da frente do carro e fui pra o banco de trás com toda a minha humilhação junto. Na época eu não tinha carro e estava dando continuidade ao meu sonho, ao meu início de vida profissional na área de Produção de Eventos e com todo o apoio da minha família e amigos que foram a maioria dos meus patrocinadores. Eu não poderia desistir e entregar o que eu construir na mão de dois traidores. Para a minha segurança emocional convidei uma prima para estar ao meu lado, me acompanhando, assim eu também não me sentiria só. Se eu tinha alguma dúvida sobre a relação dos dois, eu a tirei quando eles foram me buscar na casa da minha tia numa segunda feira para trabalhar e a cena era: Ela do banco da frente, muito a vontade com os pés em cima do tabelier do carro que estava recheado de preservativos. Era deboche atrás de deboche desde a minha entrada no carro à minha saída. 

Enfim, chegou o dia 05 de Março.

Estava tudo organizado da minha parte a da parte do meu "ex parceiro"; Estrutura do evento de nossa responsabilidade: Local, som, iluminação, câmera, etc.. antes de irmos para o evento que seria logo mais á noite, fomos ao salão de beleza que nos patrocinou e lá fomos as ultimas a nos arrumar a fim de  irmos direto para o Hangar ( local do evento). E deu-se início ao show de estrelismo. A moça agora se comportara como se fosse a dona do evento e eu a sua subordinada, era esse o tratamento, ao ponto de eu ter que pedir a sua lista de patrocinadores e convidados para eu entregar à equipe de segurança e ela negar, me esnobando dizendo que o que era dela ela mesmo faria, na frente de todos que estavam naquele salão, até querendo se maquiar na minha vez, mesmo sabendo que eu teria que chegar primeiro para receber as pessoas e organizar as listas junto com os seguranças.  Um dos funcionários percebeu a situação constrangedora que eu estava passando e me posicionou num outro lugar e começou a me arrumar. Estavam comigo minha prima e um amigo de muitos anos. Ambos queriam me tirar daquela cena o mais rápido possível e me levar para o Hangar.  por fim, agradeci ao funcionário por toda sua empatia e me dirigir ao carro do meu amigo junto com ele e minha prima. Chegando no local procurei a equipe de segurança e entreguei a minha lista com os nomes dos meus convidados e patrocinadores e ainda informei que estava chegando uma outra lista que seria a da outra pessoa.

iniciou o evento e a casa estava cheia. Eu não parava um só momento, ficava do camarim pra o salão. Quem trabalha com produção de eventos sabe o tamanho da responsabilidade. Mas, enquanto isso, a pessoa que era apenas uma convidada para trabalhar conosco no evento, para aliviar sua síndrome do pânico. Se comportava como a dona do RECIFASHON 99'! De mãos dadas com um amigo meu, com quem ela resolveu se exibir , passeava de vestido longo pelo salão, tirando fotos e apenas assistindo ao desfile, esperando que a sua irmã, uma das candidatas, recebesse o prêmio de 1° lugar!
 No decorrer do evento, a moça esquece de entregar a sua lista de convidados e patrocinadores para a equipe de segurança!! e segundo ela, todos foram literalmente "Barrados no baile".  E como de costume ela veio me responsabilizar por seu erro, mesmo sendo a "perfeita em tudo". E para fechar com chave de ouro, sua irmã não ganhou nem em 3° lugar no concurso. Revoltada com o resultado, a agora "dona" do evento pede pra que o corpo de jurados recontem os votos! Porque na  cabeça dela, sua irmã teria que ganhar o concurso de todo jeito. Porém sua expectativa foi de água a baixo pela (re) confirmação das reais vencedoras do concurso em que sua irmã não obteve os precisos votos. 
 Depois disso tudo, eu ainda a abracei, dizendo que a amava como uma prima e que as coisas não teriam que chegar no ponto que chegaram. 
Afinal, nunca dei valor à fama! Apenas queria o meu espaço e pra isso nunca seria preciso derrubar alguém, e muito menos tomar o lugar dele.

"Acho que a obsessão pela fama é uma doença. Quem sente prazer nisso só pode ser louco".   ( Danielle Winits - Atriz )


RECIFHASHION 99' continuação no próximo post ...

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